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Artifício ou ficção, feitiço, mito que antes era,
tornou-se um fato. Negligenciadas não foram
do passado as referências.
Um leve desvio surpreendeu o tal passado,
Reoperou-se a metempsicose e por ela o logro
do que acreditava-se híbrido.
Cai a essência mítica de nosso objeto e caem
também incólumes tradições. Real pois é a
existência destes seres, tanto
quanto a de um camundongo ou de uma girafa,
por mais bizarros que aparentem. Por longo
tempo temos nos ocupado
da hipótese construtiva destes seres, minuciosas
investigações, laboriosas suposições, meditação,
reflexão e trabalho...
É com satisfação que damos a público o parcial
resultado do logro. Eis aqui imagens e o breve
protocolo da experiência.
Memorável foi a noite do dia 9 de abril de 97.
Do bojo dela, por preciosos instantes podemos
realizar, sob rigoroso
controle, a tão esperada existência de SEREIAS!
Pregnantes pretendentes habilitadas pela luz
rendem o acaso. Ingerindo
água crua, fazem da pele o véu da tarde. Fundam
uma praia circular em três, cotam o mar. Despencam
leiteiras de onde viscoso escorre o mar. Ele é central.
Um orvalho espargido cinge, é o índice dos planctons
pulverizados, férteis indutores
da transmutação. Luzes poentes rendem agora o
horizonte. Inicia-se a execração dos ossos. Despidas
do fêmur... Extirpado, ele é o instrumento sutil da
maceração do enxofre. Impõe-se a cauda prateada.
Sob o solo criado pousam as pretendentes. Sopram e
fazem noite que clareia em lucíferina... Formam-se as
caudas em prata e luz. Encontram planctons,
areia, mar.
Há sereias.
maio de 1997
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